segunda-feira, 23 de março de 2015

Leitura Inicial para todas as salas

Leitura Inicial - Terça 24/03 (Parte 1/4) - Sala de Leitura Vinícius de Moraes - Prof. Danilo Cesar 

Caso de secretária

Foi trombudo para o escritório. Era dia de seu aniversário, e a esposa nem sequer o abraçara, não fizera a mínima alusão à data. As crianças também tinham se esquecido. Então era assim que a família o tratava? Ele que vivia para os seus, que se arrebentava de trabalhar, não merecer um beijo, uma palavra ao menos! Mas no escritório, havia flores à sua espera, sobre a mesa. Havia o sorriso e o abraço da secretária, que poderia muito bem ter ignorado o aniversário, e, entretanto o lembrava. Era mais do que uma auxiliar, atenta, experimentada e eficiente, pé-de-boi da firma, como até então a considerara; era um coração amigo.
Passada a surpresa, sentiu-se ainda mais borocochô : o carinho da secretária não curava , abria mais a ferida. Pois então uma estranha se lembrava dele com tais requintes, e a mulher e os filhos, nada? Baixou a cabeça, ficou rodando o lápis entre os dedos, sem gosto para viver.

 Leitura Inicial - Quarta 25/03 (Parte 2/4) - Sala de Leitura Vinícius de Moraes - Prof. Danilo Cesar 

Durante o dia, a secretária redobrou de atenções. Parecia querer consolá-lo, como se medisse toda sua solidão moral, o seu abandono. Sorria, tinha palavras amáveis, e o ditado da correspondência foi entremeado de suaves brincadeiras da parte dela.
-O Senhor vai comemorar em casa ou numa boate?
Engasgado, confessou-lhe que em parte nenhuma. Fazer anos é uma droga, ninguém gostava dele neste mundo, iria rodar por aí à noite, solitário, como o lobo da estepe.
- Se o senhor quisesse, podíamos jantar juntos - insinuou ela, discretamente.
E não é que podia mesmo? Em vez de passar uma noite besta, ressentido - o pessoal lá de casa pouco tá ligando -, teria horas amenas, em companhia de uma mulher que - reparava agora -era bem bonita.

 Leitura Inicial - Quinta 26/03 (Parte 3/4) - Sala de Leitura Vinícius de Moraes - Prof. Danilo Cesar 

Daí por diante o trabalho foi nervoso, nunca mais que se fechava o escritório. Teve vontade de mandar todos embora, para que todos comemorassem o seu aniversário, ele principalmente. Conteve-se, no prazer ansioso da espera.
- Onde você prefere ir? - perguntou, ao saírem.
- Se não se importa, vamos passar primeiro em meu apartamento. Preciso trocar de roupa. Ótimo, pensou ele; - faz-se a inspeção prévia do terreno, e, quem sabe?
- Mas antes quero um drinque, para animar - ele retificou.
Foram ao drinque, ele recuperou não só a alegria de viver e fazer anos, como começou a fazê-los pelo avesso, remoçando. Saiu bem mais jovem do bar, e pegou-lhe do braço.

 Leitura Inicial - Sexta 27/03 (Parte 4/4) - Sala de Leitura Vinícius de Moraes - Prof. Danilo Cesar

No apartamento, ela apontou-lhe o banheiro e disse que o usasse sem cerimônia. Dentro de quinze minutos ele poderia entrar no quarto, não precisava bater- e o sorriso dele, dizendo isto, era uma promessa de felicidade.
Ele nem percebeu ao certo se estava arrumando ou se desarrumando, de tal modo os quinze minutos se atropelaram, querendo virar quinze segundos, no calor escaldante do banheiro e da situação. Liberto da roupa incômoda abriu a porta do quarto. Lá dentro, sua mulher e seus filhinhos, em coro com a secretária, esperavam-no cantando "Parabéns pra você".


Projeto Caixa Literária

Projeto Caixa Literária

Para estimular o hábito de leitura entre os jovens, nossa Sala de Leitura Vinícius de Moraes está iniciando o Projeto Caixa Literária. Além da leitura, os estudantes realizam apresentações para os colegas e debatem sobre as diversas histórias.
Alunos do 3º Ano A





A iniciativa tem como principal objetivo o incentivo ao hábito de leitura, mas também desenvolve nos jovens estudantes habilidades como interpretação, argumentação e criatividade.

100%  de adesão ao Projeto em 19/03/2015, sendo que daqui 60 dias iremos discutir durante o café literário as histórias.


Projeto Grupo de Estudos

O ENEM é utilizado para acesso às instituições públicas de 

Ensino Superior tanto como ferramenta para avaliar a 

qualidade do ensino médio no País. O resultado, ainda, 

habilita para concessão de bolsas integrais ou parciais em 

instituições particulares através do ProUni 

(Programa Universidade para Todos).


                 O Projeto Grupo de Estudos ENEM/VESTIBULAR, tem o objetivo de aprimorar o aprendizado, no formato de encontros semanais as quinta e sextas-feiras das 19:45 às 21:30, visando oportunizar aos jovens uma preparação de qualidade que lhes permita concorrer com melhores chances ao ingresso no Ensino Superior por meio do ENEM ou outros processos seletivos. O Projeto acontece nas dependências da E. E. Nenê Lourenço, com aulas ministradas pelos professores Danilo Cesar (Língua Portuguesa/Inglesa), Eni Peroni e Sandra Zoca (Matemática), com metodologia voltada às áreas de conhecimento


Rádio Nenê Lourenço


O Projeto “Rádio na Escola” se justifica pela necessidade de 


se desenvolver nos educandos habilidades da leitura e 


escrita, a comunicação, o despertar da consciência crítica 

para o trato com as informações da mídia e, também, para 

descontrair os alunos nos intervalos, com musicas e recados 

trocados entre eles.

A programação semanal é gravada toda Quarta Feira no período noturno com as alunas Flávia, Mariana e Sara do 2º Ano A.

Objetivos

Ø  Promover a socialização entre os alunos; ampliação do universo conceitual e o vocabulário do aluno; valorizar os aspectos positivos da programação radiofônica, considerando o conhecimento prévio do aluno;
Ø  Levar entretenimento aos educandos durante o intervalo (recreio) através de musicas (que poderão ser sugestões dos próprios educandos) e a apresentação dos “recadinhos” trocados entre eles;
Ø  Proporcionar á equipe gestora da instituição uma melhor forma de levar aos alunos recados, convocações, convites, etc.
Ø  Reconhecer adolescentes como produtores de cultura, integrando-os aos meios de comunicação;
Ø  Favorecer a convivência e trabalho em equipe, respeitando-se as diferenças, níveis de conhecimento e ritmos de aprendizagem;
Ø  Exercitar a comunicação oral, entre outros.

Sugestões e opiniões e pedidos de músicas podem ser realizados em nossa fanpage:

 https://www.facebook.com/timedacomunicacao



segunda-feira, 16 de março de 2015

Leitura Inicial da Semana de 17 à 20 de Março

Leitura Inicial - Terça 17/03 (Parte 1/4) - Sala de Leitura Vinícius de Moraes - Prof. Danilo Cesar

Píramo e Tisbe

Já houve um tempo em que o vermelho profundo das bagas da amoreira era branco como a neve. A mudança de cor resultou de um fato muito estranho e triste: a morte de dois jovens apaixonados.
Píramo e Tisbe, ele o mais belo dos jovens e ela a mais bela virgem de todo o Oriente, viviam na Babilônia, a cidade da rainha Semíramis, em casas tão próximas que apenas uma parede comum as separava. Crescendo assim, lado a lado, aprenderam a amar-se mutuamente. Queriam muito casar-se, mas não havia como vencer a proibição dos pais. O amor, porém, não pode ser proibido. Quanto mais se cobre a chama, mais fortes ficam as labaredas. Além disso, o amor sempre acaba encontrando soluções. Não era possível manter separados esses dois jovens cujos corações explodiam de amor.
Na parede que separava as duas casas havia uma pequena fenda da qual até então ninguém se dera conta. A quem ama, porém, não há nada que passe despercebido. Nossos dois jovens descobriram-na, e através dela começaram, então, a sussurrar doces palavras de amor,Tisbe de um lado e Píramo do outro. A odiosa parede que os separava transformara-se em sua única forma de contato. "Não fosse tua existência, poderíamos estar juntos e beijar-nos", costumavam dizer, referindo-se à parede. "Mas, pelo menos, podemos falar através de ti. Permites que doces palavras de amor cheguem aos nossos ouvidos apaixonados. Não somos ingratos." Assim falavam e, quando a noite chegava e tinham de separar-se, era na parede que davam os beijos que não tinham como chegar aos lábios do outro lado.

                  Leitura Inicial - Quarta 18/03 (Parte 2/4) - Sala de Leitura Vinícius de Moraes - Prof. Danilo Cesar

Todas as manhãs, quando o alvorecer já expulsara do céu as estrelas e os raios do Sol já haviam secado a geada que endurecia a relva, iam furtivamente até a fenda e ali ficavam, às vezes trocando as mais doces juras de amor, outras vezes lamentando o triste destino a que pareciam condenados. Suas palavras, porém, eram sempre trocadas em forma de sussurros quase inaudíveis. Por fim chegou o dia em que não tinham mais condições de continuar suportando aquela situação. Decidiram que, naquela mesma noite, iriam tentar fugir e atravessar a cidade em direção ao campo, onde finalmente poderiam ficar juntos em liberdade. Combinaram encontrar-se em lugar bastante conhecido — o Túmulo de Nino —, sob uma árvore que ali havia, uma grande amoreira cheia de bagas brancas como a neve, e perto da qual murmuravam as águas frescas de uma fonte. O plano lhes pareceu perfeito, e para eles aquele foi o mais longo dia de suas vidas.
Por fim, o Sol mergulhou no oceano e a noite chegou. Na escuridão,Tisbe saiu furtivamente de casa e, fazendo o possível para não ser vista, dirigiu-se para o túmulo onde haviam combinado encontrar-se. Píramo ainda não tinha chegado, e ela ficou a esperá-lo com a coragem fortalecida pelo amor.

           Leitura Inicial - Quinta 19/03 (Parte 3/4) - Sala de Leitura Vinícius de Moraes - Prof. Danilo Cesar

De repente, porém, a luz da lua permitiu-lhe divisar o vulto de uma leoa que se aproximava. A fera selvagem tinha acabado de matar uma presa; tinha as mandíbulas ensangüentadas, e vinha saciar a sede na fonte. Estava ainda a uma distância que permitia a fuga de Tisbe; mas, ao correr em busca de um abrigo seguro, a jovem deixou cair a capa que trazia aos ombros.
Ao voltar para o seu covil, a leoa viu a capa e, antes de desaparecer na floresta, abocanhou-a e fez dela apenas um monte de trapos. Ao chegar, poucos minutos depois, foi com essa cena que Píramo se deparou. Diante dele estavam os farrapos ensangüentados da capa e, visíveis na obscuridade, as pegadas da leoa. A conclusão era inevitável: Tisbe estava morta. Ele permitira que seu amor, uma jovem tão delicada, viesse sozinha para um lugar tão cheio de perigos, e ali não estivera para protegê-la. "Fui eu que te matei", exclamou. Do solo espezinhado, levantou o que restava da capa e, beijando-a muitas vezes, levou-a consigo para perto da amoreira. "Agora", disse ele, "beberás também do meu sangue." Desembainhou a espada e cravou-a no coração. O sangue, lançado em borbotões, atingiu em cheio as bagas da amoreira, que então se tingiram de um vermelho escuro.

                 Leitura Inicial - Sexta 20/03 (Parte 4/4) - Sala de Leitura Vinícius de Moraes - Prof. Danilo Cesar 

Apesar de ainda apavorada com a leoa, o grande medo de Tisbe era não conseguir encontrar seu amado. Assim, resolveu arriscar-se a voltar para junto da árvore onde haviam marcado o encontro, a amoreira dos reluzentes frutos brancos, mas não conseguia encontrá-la. A árvore era a mesma, mas seus ramos não deixavam entrever um só lampejo de brilho branco. Ao olhar bem, percebeu que alguma coisa se mexia no chão. Recuou, trêmula, mas no instante seguinte, firmando os olhos por entre as sombras, viu claramente o que se passava ali: Píramo, banhado em sangue e quase morto.Voou para ele e o tomou nos braços, beijando-lhe os lábios frios e implorando-lhe que a olhasse e falasse. "Sou eu, a tua Tisbe, a tua amada!", disse-lhe a chorar. Ao ouvir o nome que tanto amava, Píramo entreabriu os olhos pesados e olhou para Tisbe pela última vez. Em seguida, a morte se encarregou de fechá-los para sempre.
Ela então viu a espada que lhe caíra das mãos, e bem perto dela a sua capa manchada de sangue e esfarrapada. Num instante, compreendeu tudo. "Tua própria mão te matou", disse, "e teu amor por mim.Também posso ser corajosa, também eu posso amar. Só a morte teria tido o poder de nos separar, mas agora deixará de ter esse poder." Cravou no coração a espada ainda úmida do sangue de seu amado.
Por fim, os deuses se apiedaram, e o mesmo fizeram os pais dos dois jovens. O fruto vermelho escuro da amoreira ficou sendo a eterna recordação desses amantes fiéis e verdadeiros. Suas cinzas estão contidas em uma única urna, pois nem a morte foi capaz de separá-los.


Esta história é contada por Ovídio. É bastante característica do que há de melhor em seu estilo: boa narração, vários monólogos retóricos e, no meio, um pequeno ensaio sobre o Amor. Extraído de: Mitologia, Edith Hamilton, São Paulo, Martins Fontes, 1992.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Homenagem ao Dia Internacional da Mulher.


Nossos alunos da 2º Série B, Alexandre de Martos Durval, Alexander de Matos Durval, Maria Eduarda dos Santos Ferreira e Sasha Ferriera da Costa, produziram uma linda homenagem as mulheres que se desdobram entre, a vida de mãe, mulher e professora! Parabéns a todas, afinal dia da mulher é todo dia.

Assim como diria Vinícius de Moraes em seu Soneto da Mulher Ideal:



Pra fazer poesia 
Tem que ter inspiração 
Se forçar ...
Nunca vai ficar boa 


Se não..

É como amar uma mulher só linda

E dai !??


Uma mulher tem que ter alguma coisa além da beleza

Qualquer coisa feliz

Qualquer coisa que ri

Qualquer coisa que sente saudade


Um pedaço de amor derramado

Uma beleza ...

Que vem da tristeza 

Que faz um homem que como eu sonhar 



Tem que saber amar 

saber sofrer pelo seu amor

E ser só perdão